sexta-feira, 17 de maio de 2013

Medo de sorrir


Adoro crianças, por várias razões e uma delas é pela capacidade delas de deixarem um dia melhor apenas sorrindo ou dando aquela gargalhada gostosa.

Em casa me divirto com minha priminha pequena, que está começando a falar, andando sozinha e aprontando das suas. E me pego sorrindo só de lembrar do jeito dela, daquele sorriso amplo, sincero. 
Aquele que aparece apenas por conta de estar recebendo atenção ou apenas por estar ao lado de pessoas queridas.

Eu ouço “piadinhas” do meu jeito, de estar sempre sorrindo. Sou do tipo que abre um sorriso ao reencontrar alguém de quem realmente gosto, mesmo que faça pouco tempo que eu esteja longe desta pessoa. Às vezes preciso me policiar para não ficar sorrindo numa reunião, por exemplo.

Mantenho meu lado criança e não tenho vergonha disso. Mas conforme vamos crescendo, somos “ensinados” a esconder sentimentos, como se isso fosse uma falha.

E as pessoas tendem a duvidar dos sentimentos. Muitos acham que ao falar algo, o simples fato de estar sorrindo quer dizer que estou mentindo, escondendo algo, quando na verdade pode ser apenas por eu estar sendo o centro das atenções. Isso é algo que diminuiu consideravelmente, principalmente pelos trabalhos que realizo, onde gerencio, coordeno ou tenho que lidar com várias pessoas (nos casos como professor ou 
DJ).

Fico reparando nas expressões das pessoas. Todos sérios, carrancudos e tristes em boa parte do tempo. 

Nos momentos onde é preciso, sei me portar de forma séria, que chega até a assustar quem conhece meu lado mais “light”. Mas sou do tipo que se escuta algo engraçado no rádio, abro um sorriso sem me importar onde estou (por exemplo num ônibus ou metrô) e percebo algumas pessoas me olharem como se eu fosse um ET.

Estas pessoas esquecem o poder do sorriso. De como ele acalma, de como ele pode fazer um dia valer a pena. Faço questão de manter meu lado criança e fico triste ao perceber uma “pressa” no amadurecimento, pessoas pulando etapas.

Aparece a vontade de colocar minha priminha numa redoma, isolar de forma que ela não seja influenciada e possa manter sempre esta pureza, esta felicidade. Como isso é impossível, tento ser um adulto que ela pode contar e torcer para que ela entenda que na minha presença ela pode sempre manter sua essência. Queria apenas ter o poder para que outras pessoas também pudessem sentir o mesmo.

Permitissem sorrir. Sem medo. Sem julgamentos. Apenas sorrir.

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