sexta-feira, 31 de maio de 2013

Água

Reunião logo após o almoço e como é de praxe em São Paulo a virada repentina na temperatura saindo de um dia quente de sol para uma chuva de poucos minutos, mas suficiente para me deixar com a roupa social toda molhada. Horário apertado e nada a ser feito a não ser encarar esta chuva.

A calça e a camisa grudadas ao corpo, uma rápida passada no banheiro para me tirar o excesso de agua no corpo e um café quente e rumar para a sala de reunião, onde entro pedindo desculpas pelo estado que me apresento.

Apresentação formal para todos os presentes e pedidos de desculpas por conta do estado que me encontro.  Começo a conduzir a reunião, apresentando e detalhando as informações através de relatórios e slides. Minha intuição me faz prestar atenção as pessoas envolvidas e tenho a nítida impressão de olhares em minha direção com outras intenções, deve ser algo da minha cabeça.

Fim da reunião e um convite geral para uma happy hour pós expediente, prontamente aceito. Chego no barzinho segundos antes de de começar a chover novamente. Comento que minha cota de chuva já deu por hoje e ouço um “que pena” sem identificar de onde veio (e confesso que por ter ficado com um pouco de vergonha nem procuro descobrir a autora do comentário).

A chuva continua pesada, sem dar trégua. Aos poucos as pessoas vão indo e digo que vou esperar ela passar para ir embora. Uma carona me é oferecida e reconheço o tom da voz como sendo o mesmo que soltou a frase assim que cheguei ao bar.

Convite aceito, caminhada e entrada no carro. Uma garrafa de água aparece e antes que eu me dê conta ela é esvaziada, me deixando pior do que no começo da reunião. Ao tentar pronunciar qualquer palavra tenho minha boca silenciada por um beijo.

Toques, caricias e uma voz suave no ouvido dizendo que a vontade de estar comigo estava explodindo desde o momento em que ela tinha me visto entrar na sala de reunião ensopado, com a minha roupa molhada marcando meu corpo.

E aos poucos o que era agua vai dando lugar a suor de dois corpos entregues, deixando-se levar pelo momento. Sem perguntas, questionamentos ou inibições.

Somente a vontade, o tesão e o desejo tomando conta até ambos não terem mais forças.  Os vidros do carro completamente embaçados deixam claro a intensidade do que aconteceu.


A chegada em casa com a camisa social ficando de recordação. E a troca de olhares na despedida. 

Esperando pela chegada da próxima chuva....

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