segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Desejo sem pudores

O tempo quente favorece isso.

Do meu lado sem muitas opções. Camisa e calça preta social.

“Estranhamente” parece ser um dia onde tudo que precisa resolve dar problemas.

Primeiro uma ida a sua mesa para uma tarefa rotineira e parece facilitar uma visão de seu decote, aparentemente sem intenção.

Depois passando na minha mesa, puxando papo, mas sempre andando de forma sensual, quadris rebolando lentamente e pernas lisas.

Uma chamada para arrumar um equipamento embaixo da sua mesa e você aparecendo para acompanhar. 

Impressão ou o vestido parece subir? Visão das coxas em um vestido colado, parecendo que está sem roupa intima por baixo.

Pergunta se achei algo e penso no trabalho, respondendo que não achei nada. Percebo que você se ajeita na cadeira, as pernas um pouco mais afastadas e volta a perguntar se realmente não achei nada.

Fico sem graça e tento manter meu foco. Afinal já conversamos antes e nada indicava interesse. Algumas brincadeiras, é verdade, mas nada de concreto. Apenas conversas maduras, comentando sobre gostos, sobre envolvimento, sobre romantismo e do fato da maioria das pessoas estarem com foco em parte corporal e deixar de lado outros detalhes.

Do egoísmo e da procura pelo prazer próprio. Sem pensar no prazer do parceiro. Sem pensar em curtir o momento com o parceiro.

No fim do dia, escritório mais vazio e novamente me chama a sua sala para outra “manutenção”. Barulho de chave? Acho que é algo da minha cabeça.

E algo raro, me pergunta o que acho de teu corpo. Elogio , mas de forma vaga.

Você conduz o papo de outra forma e pede para que eu seja mais especifico nos comentários.  Pede que comente sobre seus seios, suas pernas, suas coxas.

Elogio, dizendo que tem um corpo que chama atenção, cada parte citada é devidamente elogiada, até quando chego às coxas, onde deixo a entender que reparei com mais calma. Nesta parte questiona se percebo que está sem calcinha.

Afirmo que sim, de forma que deixo claro que reparei em teu corpo. Sorri e à medida que a conversa esquenta meu corpo responde.  E do meu lado tenho um “problema”. Roupa social , logo é fácil reparar que meu corpo responde.

Percebo seu olhar abaixar e uma expressão nos seus olhos se forma. Certo fogo no olhar. Acompanhado de uma mordida nos lábios.

Um pequeno silêncio se forma ao ficar claro que um repara fisicamente no outro.

Silêncio quebrado pela troca de olhares. Pela nítida sensação de desejo, de excitação de um pelo outro e que naturalmente faz com que nos aproximemos e os lábios se encontram num beijo intenso , quente e cheio de malicia.

Nada é dito. Mãos deslizam pelo corpo um do outro rapidamente, descobrindo, tocando, sentindo. 
Tocando partes que denunciam tesão, sentindo detalhes nem sempre vistos em “dias normais”.

Pausas curtas para recuperar o fôlego e voltar a este desejo até então novo, mas com uma nítida impressão de desejo acumulado e ocultado até aquele momento.

E todo aquele romantismo , calma e romantismo sempre comentado por nós dá lugar a um tesão de certa forma “cru”. Sem pensar onde estamos, sem pensar na situação. Sem pensar no que vai acontecer.

Apenas querendo aproveitar o momento da melhor forma possível. Como se esta fosse uma oportunidade única.

Uma leve pausa no momento em que os corpos estão nus.  Pede novamente para que comente sobre seu corpo.

Peço que fale de onde quer que eu comente. Mas ao invés de comentar eu beijo, passo a língua ou até 
mordo de acordo com a parte que pede o comentário.

Forço que continue pedindo os elogios, mesmo com as palavras saindo com dificuldade, mesmo com frases saindo mais desconexas, entre gemidos e mãos arranhando minhas costas.

Mais um momento de pausa, apenas para jogar tudo que está na mesa no chão e ter a mesa improvisada como cama. Para realizar todos nossos desejos. Todas as nossas taras.


Sem julgamento, sem pensar. Apenas querendo ter e proporcionar prazer.....

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